PERFIL ELEITORAL

CANDIDATE-SE! mano…

… não precisa ficar com vergonha
se não for eleito, é só um pleito!
você leva jeito pra ganhar ou perder
não depende só de você
e tudo pode acontecer sem você ver

ou você acha que
é só no jogo de pocker
que se paga pra ver!

… é mais complicado e menos fascinante
do que concurso de Miss Universo
que não serve de reverso
para o outro pocker de carta marcada
mas a ideia por trás deste pleito eleitoral
também é uma tendência mundial
participa até pastor da Universal
… é global sem ser da GLOBO
e usa computadores que nem cassino
máquininhas tão complexas
quanto estas Las Vegas miúdas
a tomar grana de trouxa
no canto do boteco
do inocente proprietário nordestino
que arrendou do português e do espanhol
a máquininha de calcular e o risco
de perder se não jogar…
atrás do balcão, é um trabalhador honesta
que cumpre horário puxado
pra manter quem tá sóbrio
…embriagado

… se liga, mano!
sai desse pleonasmo revolucionário
e vai procurar vaga no senado
… vá tomar banho de Cachoeirinha
pelo que se sabe sobre o salário
o emprego até que é bem generoso
vai ter verba até pra pagar os amigos
para trabalharem até com os inimigos
todo mundo vai te amar escondido
e ainda poderás fazer seu trabalho
de criar leis sobre tudo que há
ditar regras para uso de camisinha
arranjar grana pra fazer estrada
(se faltar, só perde mesmo o jeton)

… vai lá, mano véio!
arruma um número
que a gente aposta no milhar
… se der na cabeça, faz parte
nesse jogo democrático
todo mundo joga e tudo é jogado

ou você acha
que é só no jogo do bicho 
que não dá …zebra!

ARITMÉTICA BÁSICA

zero elevado a zero

o desejo pede
(+) mais (+)

a liberdade aconselha
(–) menos (–)

a vontade afirma
é tudo ou nada

a realidade confirma
nem (+) nem (–)

LIBIDO in LOVE

info: rascunho para poema falado || experimento de leitura
“…ai, aí, ai, Seu Malaquias / tá me dando uma agonia!’
Peba na Pimenta (João do Vale)

DAI-ME SANTA MARIA

papai do céu xamã
meu reino por um cavalo
baixa o santo do cavalo branco
de manhã acordando galo

não liga pro que digo
nem fale como eu falo
tem ilusão nessa fonte
desentupindo ralo
o que se tem pra dar
dai-me, Santa Maria!
pode ser um calafrio
te dando uma agonia

haja adrenalina
tome-lhe endorfina, oxitocina
como blefar numa mesa de poker
contra um Royal Street Flash
dai-me, Santa Maria!
tá me dando uma …agonia!

on-line, apostando em Messalina
perdendo uma fortuna na canastra
só pra sentir aquela agonia!
me dá, me dá …dai-me, Santa Maria! 

embora a questão não seja
ter ou não ter?
nem estar ou não estar com
tesão todo mundo tem
conforme a libido
a imaginação do que é livre
sem ser proibido
ecoa que nem ataque cardíaco
e leva alguém pro além
…é físico!
…uma agoniazinha! 

lidar com essa agonia
é sentimentalmente coerente
sem essa agonia
tudo ficaria tão prático
quanto escrever um poema
criar um problema
dirigir um carro
extrair um dente
dar um calote
mas, de repente
você tem que dirigir um helicóptero
sem nunca ter pego num manche
aí, aquela agonia vai ser fundamental
para que você se mantenha vivo

tem quem dance samba, rumba
gente que prefira um último tango
uma valsa para debutantes
seja qual for a coreografia
ser toureiro é preciso
a capa é só um xale pra distrair o alvo
uma saia plissada, um baby-doll
a mira da espada é na medula
um ato cirúrgico letal
um erro pode ser fatal
silêncio na arena
a besta e quem raciocina
vão tirar a sorte na purrinha
alguém pediu lona
chega a dar uma agonia!

nada como saber que a sua vida
é absolutamente sua
que todo mundo tem tesão
pra cada um, uma mania

tem gente que era quente
no meio da guerra fria
há quem morra de alegria

imaginando fantasias
… deus é uma dama
na cama da maioria
um Santo Daime
… dai-me Santa Maria!

não esqueça que o passado
já foi diferente do que é
de um jeito que não é mais

quem não lembra como foi
sabe que não será de novo
se não é mais…

quando dois era bom
e três era demais
um foi muito pouco
e o que é bom
… é bom demais

se é pra me dá, me dá
eu tô doidão de daime
…dai-me, Santa Maria!
… tá?

QUANDO AS GATINHAS LATEM

O POETA É UM CÃO

LÁ ESTAVA EU, de quatro
sinceramente: abanando o rabo
como um cão qualquer
que aceite o papel de
MELHOR AMIGO DO HOMEM

DIANTE DE MIM, duas cadelas
que meu olfato alterado não detecta
sinais nem de sanha nem de cio
uma é excelente para função de vigia
a outra é perfeita para guiar cegos
ambas, rosnando ou não
sabem latir e ganir pro meu ego

qual delas dá a patinha?
fazendo gracinha…
qual lambe melhor?
fazendo carinho…
advinhe quem quiser saber
nenhuma delas me dá ordens
mas provocadas, eu sei…
as duas mordem!

deus permita que essas cachorras
não sejam vítimas das coleiras
apesar dos colares no pescoço
valha-me, deus:
que cada uma tenha sempre seu osso
que cuidem das ninhadas sadias
que me mantenham moço…

ALI, BEM NA MINHA FRENTE
enquanto sinto uma tristeza inocente
e abano o rabo como um mastim
olho pra elas me sentindo
filhotinho do Rin-Tin-Tin
eu, que, vira-latas de rua
ao invés de pulha; pulga!
… se eu latir essa noite
não será para a lua

abanei o rabo como a Lassie
e disse pra mim, com alegria
é pra cada uma e para as duas
que aindo posso escrever
uma poesia

au, au, au!
cain, cain,

miau, miau!

HOLLYWOOD NOW mix.04

HOW TO BE IN LOVE
BY A MOVIE STAR!
um texto de 1985 in constante reMix. mix.04
brinde: audio mp3 para audiovisual – 1991 – ao fim do post 

…eu jamais esquecerei daquele beijo de despedida entre Ingrid Bergman e Humphrey Bogart, nas cenas finais de Casablanca

…eu não desejo esquecer nunca mais aquele momento entre Marcello Mastroianni e Anita Eckberg na Fontana di Trevi, no clássico pebê de Federico Fellini

…e você nem sabe que toda vez que você sai para o trabalho naquela emissora classe A, campeã de audiência na classe Z, eu fico ali, no canto da sala, como um Doutor Jivago vencido, ouvindo a melancólica harmonia de um inaudível Tema de Lara

…não posso negar que a famosa cruzada de pernas de Sharon Stone não mexeu com meu instinto básico.
Diria que me tocou ao pau …como um punhal!
Cruza as perninhas sem calcinhas só pra mim…
só um olhadinha…
Cruza!

…La Belle de Jour, com Catherine Deneuve fazendo aquela carinha de santa roubou muitas das punhetas que tocaria pensando em você…

…minha querida, nós já vivemos nossas quentíssimas nove semanas e meia de amor e mesmo que eu não fosse nenhum galã de tirar o fôlego de mocinhas à flor da idade, você foi a minha Kim Bassinger particular com tudo combinando sem combinar…

…é por essas e outras que eu… detesto te ver na novela!
Lá, você não passa de uma sub-Madonna, uma pseudo-Mae West, num ambiente cafona, mais para dondoca do que para marafona…

…outro dia, te vi numa novela rural vestindo um figurino pavoroso, fazendo das tripas coração para parecer que chorava por um marido perdido e, logo depois, sem mais nem menos, você reapareceu falando com falso sotaque baiano sobre sentimentos impróprios a seres humanos…

…foi puro nonsense assistir sua ultrajante performance profissionalmente apaixonada por um ator que, na vida privada, não passa de uma bichona aparvalhada, adorada por ingênuas empregadas, com o lugar no elenco mantido pelo fato de ter um caso com o diretor da palhaçada…

… no fundo, eu sei que você vai crescer e ter que me esmagar para não perecer!
… sou um medíocre singular que vai acabar sendo punido com teu primeiro Oscar!
…é sério!
Acredito que com todo este talento lapidado pelos gênios da tevê você vai parar em HOLLYWOOD!

…eu sei, meu amor, que os seus olhos já pertencem para todo o sempre à Metro-Goldwin-Mayer

…eu sei que os seus sedosos cabelos estão sendo penteados pelos verdadeiros cúmplices de Dalila, aquelas bichas cheirando à amônia que trabalham nas cabeças em fila dos estúdios da Paramount

…tuas orelhas preparam-se ornamentadas com brincos de um brilho raro para ouvirem os berros dos maiorais encharutados da Columbia Pictures

…teus lábios de cetim aguardam as línguas dos galãs que circulam como garanhões pelos estúdios da Warner Bros

…tua cabeça está prestes a ser alugada para trabalhar personagens inverossímeis criados pelos maiores roteiristas da RKO Radio Pictures!

…tua voz… ah! …tua voz! Estará sendo amestrada como a dos papagaios para repetir quantas vezes for necessário, aqueles textos inacreditáveis dos filmes da United Artists...

…teu rebolado magistral, com essas nádegas de mulata, cujos maiôs se consagraram em Copacabana, estará dando vida aos monumentais musicais coreografados pela nata da UNIVERSAL…

…tua vida não te pertencerá totalmente: o que nela já existe, do mais sincero sentimento à mais descartável emoção, tornar-se-á propriedade privada dos arquivos da 20th. Century Fox

…e, apesar de tudo isso, minha imperdoável paixão, você continuará sendo a minha Rosa Púrpura do Cairo!
…como nos filmes que me perturbaram o juízo terei que assumir meu carma e deixar a sala escurecer para te rever nas telas nos filmes que estrelarás como estrela especialmente convidada!

…mas antes que o carteiro bata
pela segunda vez na minha porta,
como um incorrigível salafrário,
da maneira mais calhorda e desagradável,
quero te fazer um pedido apaixonado
em tom de prece bizantina:

…eu quero que tudo!
absolutamente tudo
que estiver
entre as suas coxas
e o seu umbigo…

… eu quero que seja meu!
… não precisa ser só meu!
.. .tem que ser tudinho!
… tu-di-nho meu!

MEU! 

meu DEUS…

DEUS!

DEUS… 

EU… 

que só sei que os seus olhos
pertencem à Metro Goldwin-Mayer!

brinde -in constant reMix  since 1985 
1991 - trilha para animação de curta gráfico – 13’53
utilizada no evento Utopia Fun Club, agosto de 1991 

Vox: Tavinho Paes
soundtrack by João Nabuco & Ricardo Bacellar
special vox: Patrícia Kogut
performance on stage: Nylaia
 

 

PASSARINHOS

MAIS UMA HISTÓRIA DE AMOR

Não!
Não começa com era uma vez, porque foi mais de uma … foram duas, três, sei lá quantas…

… era só estar por perto, com ela dentro do meu campo visual, para que a primavera revelasse seus jardins, o outono deixasse cair as suas folhas secas, o inverno fizesse tudo ser coberto por sua neve cor de cal e o verão aparecer para derreter tudo com o calor do seu sol…
… mas, se havia uma coisa que eu amasse e que supera tudo isso, essa coisa sempre foi  aquele seu olhar … aqueles olhos grandes que me vendo me faziam voar no ar como se estivesse ouvindo …passarinhos! 

… eu me lembro: me apaixonei por você na cama, vendo você dormindo e sonhando sozinha, com os olhinhos fechados como a gente faz quando está dando um beijo na boca de alguém que a gente sabe que ama…
… foi assim que eu vi seus lábios sem batom, cor-de-rosa, com a textura de um sashimi fresco, instalada num rosto muito mais bonito do que tudo que eu já havia visto na minha vida!

… a beleza permanecia tão calma quanto um passarinho num ninho!
… não havia voz, além do suspiro da respiração; os cabelos estavam desalinhados pela fronha azul-celeste do travesseiro de penas, o lençol desarrumado e o cobertor meio que te descobrindo, deixava a mostra  as batatas da tua perna…

… desde que te deixei naquele ninho que lembro de você cada vez que vejo um passarinho!
… até um cuco já me surpreendeu marcando sua hora e eu fiquei achando que estava na hora de voar com você para qualquer lugar…

… foi quando ouvi cantar os passarinhos e quis dormir em você, que dorme no meu sonho e faz os meus sonhos ficarem mansos e tranquilos quando te acham na bagunça que faço na minha memória…
… se há algo que eu ame é dormir com você, mesmo que você não tenha dormido comigo…
… quando durmo e sonho com você, não tem jeito: lá estão eles, com seus DNAs de dinossauros…
… os passarinhos!

A PAIXÃO É UMA OBRA DE ARTE

ENTRE UM & OUTRO

sob todos os aspectos, a paixão estava sendo monitorada para permanecer verdadeira, íntegra, fulminante…

as diferenças foram todas mantidas intactas, sem contágios com coisas frívolas que, expostas ao acaso, perdem todo o sentido…

a paixão foi inventada e a invenção foi tentar realizá-la autônoma e independente fora da economia do desejo

o desafio era sobreviver às suas contradições fora do território da libido, confundindo tempo e espaço; correndo um intolerável e inexplicável perigo…

tudo para que fosse possível fazer dela …uma obra de arte!

eterna como o amor, a paixão ao amor ascenderia a partir de uma contagem regressiva…

na perspectiva do passado, motivaria todas as poesias que por ventura fosse escritas sob a orientação de sua fulminante força centrípeta…

motivaria poemas e aproximaria o futuro que fosse disponível à minha vida…

quando passasse, não haveria nada a ser explicado ou discutido; sendo tudo entendido onde nada foi permitido ou proibido…

o que viesse ao meu encontro, em rota de colisão, seria bem vindo…

o confronto apaixonado não previa encontros nem os desencontros seriam propícios; todos os fins seriam novos princípios, mesmo que sobrassem finalidades e faltassem objetivos…

o amor queimaria excessos naquela fogueira de vaidades, com seu combustível mágico poupado das baixarias…

a paixão iria lentamente aumentando a velocidade para encontrar sua cara-metade na contra-mão; logo que a vertigem, atraída pela queda, procurasse um fundo para seu abismo…

os freios para o contato falhariam, tão necessários quanto descartáveis, tão aceitáveis quanto imprevisíveis…

…e lá íamos nos: fluindo na mesma estrada

cada qual com sua paisagem, cumprindo sua distância, indo no sentido contrário do outro, como imagens num espelho: cada um do seu lado se divertindo ao ver o outro, do outro lado, invertido…

contínuo e incondicional, meu amor superava estágios, impassível, vencendo obstáculos invencíveis, indo sempre em direção do infinito…

a paixão, descontínua e instável, queimava etapas, cada vez mais sensível, indo em direção ao nada, zerando posições que se autodestruiriam tão logo fosse anuladas e resolvidas…

… ora eu era um; ora, era o outro …

ninguém era a cara-metade de ninguém nem, em alguém, alguém se complementaria: os suplementos seriam divididos entre um e outro

cada qual num pólo do ima partido: um, ansioso; o outro, intranquilo … um, perigoso, o outro, a perigo…

um desejando mais do que podia; o outro querendo mais do que pedia; ambos se livrando do que nunca nos alcançaria…

se um era uma dúvida de rasgar coração, o outro era uma solução final: cruel e fria…

ambos estavam entre a vida e a morte, cada qual vivendo sua vida: nenhum interesse mútuo, nenhuma vontade recíproca e a obra de arte sendo construída independente das desilusões de um e indiferente aos sofrimentos do outro, entre a lâmina e o gume, perto do fim … no limite!

apesar de fria, não havia nenhuma frivolidade naquela paixão perdida: além de incerto, só sossobrariam ao desmoronamento do castelo das cartas marcadas algumas maldades que, ao que tudo indica, foram todas premeditadas e realizadas com a serenidade dos profissionais do crime…

se um acusasse ferimentos e dor: o sadismo do outro ia à loucura: o jogo não tinha regras nem foi combinado: ninguém ganhava nem perdia, se um apostava: o outro, à aposta cobria, pagando pra ver o que o outro escondia…

não era doença e, se fosse, não teria cura…

era diferente de tudo que fosse sensato: músic quase incidental feita com ruídos, sem harmonia ou melodia…

um caía de quatro; o outro, subia em cima e se divertia … se um estivesse se sentindo humilhado, o outro superava o fato e esquecia, zombando do que reclamava com a soberba dos monarcas esclarecidos diantes dos bobos que às suas cortes serviam…

faltavam peças no dominó; o baralho ignorava a versatilidade dos coringas; o jogo era justo mas não era limpo: alguém escondeu seus ...segredinhos mais íntimos!

a amizade virou uma piada, o pacto rompe-se e a sorte não era amiga de ninguém que dela dependesse…

a mentira, irada e realista, dava show de dança na pista…

a sinceridade, sensível aos contrastes, tornou-se surrealista: um era descontrolado e egoísta; o outro, pragmático e narcisista … ambos eram ...artistas!

os dentes da engrenagem pediam graxa quando friccionados, um no outro sentiam repugnância pelo que era óbvio e reagiam como se fossem mar e rochedo num dia de resaca e chuva fria…

a máquina era cubista!

o coração parava … a respiração ofegava … a cabeça explodia!

o amor incondicional expandia o que a paixão desgastava e excluía: um chegava no topo; o outro, melancolicamente desorientado, caía…

a obra de arte nunca estaria pronta, afinal de contas, nada de real existia: tudo que estava mal, pioraria…

não há calma numa paz que entedia: az, só depois de um orgasmo que vai buscar prazer e gozo num mergulho profundo até voltar a superfície para afirmar que a paz é a coisa mais sensual deste mundo!

não havia nada demais: tudo aquilo acabou virando uma sensação vadia e o apaixonado foi sendo esgotado e o que era apaixonante nem o via,  já que, cego por uma paixão alucinante, contra tudo que lhe fosse angustiante, acabava de encontrar …o amor da sua vida!

uma obra de arte original estava sendo criada sem sacrifício, tão única que parecia viva…

apesar da aflição, não havia tristeza e, mesmo que aos trancos e barrancos, sua aparência era bonita…

o belo sempre tem uma carta na manga…

a beleza era mais intensa do que a luz de um sol, que eclipsa!
a beleza é uma super-nova … uma estrêla-guia!

mesmo que a morte os alcançasse, e que a um deles não desse nenhuma chance, a obra de arte estaria viva no outro que sobrasse depois que a paz voltasse e permitisse a ambos uma nova …anarquia!

a arte é tudo quando tudo que há está em jogo e este jogo nada mais é do que a vida!

a beleza é sempre uma promessa de felicidade!

QUEM FAZ O QUE FAZ?

BEM FEITO!
quem mandou se fazer de besta!

não interessa a ninguém o que me aconteceu … aconteceu comigo e com mais ninguémninguém tem nada a ver com isso … isso não interessa a ninguém!

alguém não pensou em mais ninguém quando fez o que fez comigo … com certeza, pensou em si mesmo, uma vez que para fazer o que fez, teve que disciplinar seus comportamentos e administrar muitas de atitudes em sua vida que tivessem alguma relação com a minha … senão não faria o que fez comigo

… foram atitudes radicais e, pelo que há de rastros deixados pelo caminho, não se preocupou com o estrago que causaria a mim, afinal sua missão secreta deve ter sido encontrar uma solução final para problemas que eu poderia estar associado ou causando em sua vida … não se preocupava especificamente comigo

… porisso fez o que fez exclusivamente comigo: não sobrou para mais ninguém … e, é claro que ninguém estava nem aí pra isso…

…a respónsabilidade pelo desastre (foi uma tragédia psico-sensorial) não foi compartilhada: os interesse pessoais, na forma perversa do egoísmo narcisista, encontrou soluções unilaterais e seccionou abruptamente, sem deixar alternativa, desde os laços afetivos mais simples às relações sociais mais complexas…

alguém não pensou em mais ninguém quando fez o que fez comigo … se pensou em mim, pensou como se pensa num problema … ninguém mais tinha nada a ver com aquilo … aquilo, mesmo para quem ficou na platéia, não tinha nada a ver com interesses alheios … era tão pessoal que ninguém fez nada por mim enquanto alguém fazia o que fez … qualquer um poderia ter feito alguma coisa, mas como não estava à sua alçada interferir onde não era chamado e onde não havia nenhum interesse que motivasse uma ação insertiva, todo mundo limitou-se a cuidar de suas vidas e deixar a vida do outro pra lá…

alguém, acompanhando a maioria, nem quis saber o que acontecia comigo enquanto fazia o que fez … eu que encontrasse a minha própria solução para o que me acontecia e que não me interssasse com o que acontecesse a mais ninguém para não perder o foco …

… meu problema não estava associado a ninguém e, além de mim mesmo, não era do interesse de ninguém … fizesse o que fizesse, faria da mesma maneira que alguém fez o que fez comigo … a ética que abrangia o que aconteceu comigo por causa do que alguém fez e que não fez a mais ninguém estava tão deteriorada por todo mundo que, mesmo que qualquer um ainda a respeitasse, ela não dependeria de mais ninguém

… o que alguém fizera comigo não era nada demais para mais ninguém!

… aparentemente, não havia nenhuma razão para que eu devesse receber mais atenção do que mereci, mas, pelo que senti, esse privilégio só foi oferecido para mim e mais ninguém!

alguém fez o que fez comigo sem pensar no que eu faria quando tudo estivesse feito…

bem feito: o fator surpresa foi decisivo para que o que alguém fizesse bem feito o que fez comigo
bem feito: o que está feito está feito … bola pra frente que não há mais respeito pelo que só a mim diz respeito…
bem feito: esquece, perdoa, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima porque o que foi feito não pode mais ser desfeito e se continuar dando defeito: abstraia e releve porque não tem mais jeito…

bem feito
quem mandou se achar perfeito?


            

esse sujeito é maluco!


… olha a cara dele!
… é doido!

ela me enlouqueceu!

...foi ela!!!

… precisa dizer porque?

Voltar ao topo